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Glaucoma · Campina Grande/PB

Glaucoma é silencioso. O rastreio, não.

Diagnóstico precoce, controle da pressão intraocular e acompanhamento contínuo. A maior parte dos casos não dá nenhum sintoma até estágios avançados — só o exame oftalmológico identifica.

Dra. Camila Nogueira Bezerra CRM/PB 15207 RQE 7596 Oftalmologia
Dra. Camila Nogueira Bezerra, oftalmologista responsável pela avaliação de glaucoma na Clínica Covisão em Campina Grande/PB
Dra. Camila Nogueira Bezerra
Oftalmologia · CRM/PB 15207 · RQE 7596
01 · O que é

Glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva — uma doença do nervo óptico, frequentemente associada à elevação da pressão intraocular, que leva à perda gradual do campo visual.1

É a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Estima-se que mais da metade das pessoas que têm glaucoma não sabem disso, porque a doença evolui em silêncio até a fase em que o dano ao nervo óptico já é grande.2 O diagnóstico em consulta de rotina muda o curso da doença — quanto mais cedo, maior a chance de preservar visão útil para a vida toda.

~50% dos pacientes

Cerca de metade das pessoas com glaucoma no mundo não sabem que têm a doença.3 Em países de média e baixa renda, esse percentual é ainda maior. O exame de rotina é o que muda essa estatística.

02 · Fatores de risco

Quem deve fazer rastreio de glaucoma.

Toda pessoa com mais de 40 anos deve incluir avaliação para glaucoma no exame oftalmológico de rotina. Os fatores abaixo aumentam o risco e antecipam a indicação de rastreio.

01

Histórico familiar

Parentes de primeiro grau de portadores têm risco várias vezes maior — irmãos, pais e filhos devem fazer rastreio mais cedo.

02

Idade acima de 40 anos

A prevalência cresce com a idade. A partir dos 60 anos, o risco é várias vezes maior que aos 40.

03

Descendência africana ou hispânica

Grupos étnicos com maior prevalência e início mais precoce — rastreio recomendado a partir dos 35-40 anos.

04

Diabetes

Diabéticos têm risco aumentado de glaucoma — somado ao rastreio anual obrigatório para retinopatia diabética.

05

Miopia alta

Olhos com miopia elevada têm mais predisposição a glaucoma. Avaliação periódica do nervo óptico é importante.

06

Uso prolongado de corticoide

Colírios, sprays e comprimidos de corticoide podem elevar a pressão intraocular. Uso crônico exige acompanhamento.

03 · Tipos de glaucoma

As principais formas da doença.

O glaucoma não é uma doença única — diferentes tipos têm causas, sintomas e tratamentos próprios.4

01
Glaucoma primário de ângulo aberto

Forma mais comum. O ângulo entre íris e córnea está aberto, mas o sistema de drenagem do humor aquoso funciona mal. Evolução lenta e silenciosa — visão central só é afetada em estágio avançado.

Mais comum
02
Glaucoma de ângulo fechado

O ângulo da câmara anterior se fecha, bloqueando a drenagem. Pode ter crise aguda com dor intensa, vermelhidão, náuseas e visão borrada — emergência oftalmológica que exige tratamento imediato.

Crise aguda = emergência
03
Glaucoma de pressão normal

Dano ao nervo óptico mesmo com pressão intraocular dentro da média estatística. Diagnóstico depende de exames complementares — campimetria e OCT.

04
Glaucoma congênito e secundário

Congênito aparece em recém-nascidos e crianças pequenas — emergência cirúrgica. Secundário ocorre por traumas, uso de corticoide, uveítes, neovascularização e cirurgias prévias.

Cuidado individualizado
04 · Diagnóstico

Os exames que identificam glaucoma.

O diagnóstico combina vários exames — nenhum, isoladamente, confirma a doença. O conjunto define o tipo, o estágio e a estratégia de acompanhamento.5

01
Tonometria
Medida da pressão intraocular. Aplanação (Goldmann) é o padrão. Pressão alterada exige investigação — mas pressão normal não exclui glaucoma.
02
Fundoscopia (nervo óptico)
Avaliação direta do nervo óptico no fundo do olho — o glaucoma altera a forma e a cor do disco óptico antes de qualquer perda visual perceptível.
03
Gonioscopia
Visualiza o ângulo entre córnea e íris — define se o glaucoma é de ângulo aberto ou fechado, decisão que muda o tratamento.
04
Paquimetria
Mede a espessura da córnea — córneas finas falseiam a pressão para baixo e estão associadas a maior risco de progressão.
05
Campimetria computadorizada
Mapeia o campo visual e identifica defeitos típicos do glaucoma. Repetida ao longo do tempo, é o principal exame de acompanhamento.
06
OCT do nervo óptico
Tomografia que mede a camada de fibras nervosas peripapilares — detecta perdas antes que o campo visual mostre alteração funcional.
05 · Tratamento

Estratégia escalonada e contínua.

O objetivo do tratamento é reduzir e manter a pressão intraocular em um valor seguro para o nervo óptico daquele paciente — a "pressão-alvo". A abordagem progride conforme a resposta.6

  1. Colírios hipotensores

    Primeira linha na maioria dos casos. Diferentes classes (análogos de prostaglandinas, beta-bloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, alfa-agonistas, inibidores rho-quinase). Uso contínuo e diário — é fundamental seguir o horário prescrito.

  2. Trabeculoplastia seletiva a laser (SLT)

    Procedimento ambulatorial que melhora a drenagem do humor aquoso. Pode ser indicado como tratamento inicial ou complementar aos colírios. Não substitui necessariamente a medicação para sempre — pode ter efeito por anos.

  3. Iridotomia a laser

    Específica para glaucoma de ângulo fechado (ou risco de fechamento). Cria pequena abertura na íris para igualar a pressão entre as câmaras anterior e posterior do olho.

  4. Cirurgia filtrante (trabeculectomia)

    Cria uma nova via de drenagem do humor aquoso. Indicada quando o tratamento clínico e o laser não conseguem atingir a pressão-alvo. Requer acompanhamento pós-operatório próximo.

  5. Implantes de drenagem e MIGS

    Dispositivos que criam ou ampliam vias de drenagem. As cirurgias minimamente invasivas (MIGS) têm perfil de segurança favorável e podem ser combinadas com cirurgia de catarata em casos selecionados.

Maio Verde

Mês de conscientização sobre o glaucoma

Maio é o mês dedicado à conscientização sobre glaucoma. A iniciativa, apoiada pela Sociedade Brasileira de Glaucoma e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, lembra que o rastreio anual em consulta oftalmológica é a forma mais eficaz de prevenir a cegueira por glaucoma. Se você tem mais de 40 anos, histórico familiar ou outros fatores de risco, agende sua avaliação.

Retrato profissional da Dra. Camila Nogueira Bezerra, oftalmologista da Clínica Covisão
A médica

Dra. Camila Nogueira Bezerra

Oftalmologia · Córnea · Cirurgia Refrativa

CRM/PB 15207 RQE 7596

Oftalmologista com residência em Oftalmologia pela SEOPE-PE e fellowship em Córnea e Cirurgia Refrativa pela UNIFACISA. Na Clínica Covisão, conduz o rastreio e o acompanhamento clínico de glaucoma — desde a avaliação inicial até o seguimento com colírios e exames seriados.

O método clínico privilegia avaliação completa do nervo óptico, campimetria e OCT antes da indicação terapêutica. Casos cirúrgicos avançados, quando necessário, são planejados com encaminhamento ao sub-especialista em glaucoma. O acompanhamento contínuo do paciente fica conosco.

Rastreio de glaucoma Acompanhamento clínico Pressão intraocular
06 · Dúvidas frequentes

Perguntas que recebemos com frequência.

O que é glaucoma?

Glaucoma é uma doença do nervo óptico, frequentemente associada à elevação da pressão intraocular, que leva à perda progressiva do campo visual. É a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Tem mais de uma forma — a mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, geralmente silencioso até estágios avançados.

Por que glaucoma é chamado de "ladrão silencioso da visão"?

Porque a perda visual começa pela visão periférica e avança lentamente — o paciente raramente percebe os primeiros estágios. Quando os sintomas chegam à visão central, o dano ao nervo óptico já é grande e irreversível. Por isso o rastreio em consulta oftalmológica é a única forma de diagnóstico precoce.

Quem deve fazer rastreio de glaucoma?

A American Academy of Ophthalmology recomenda avaliação periódica para todos os adultos a partir dos 40 anos, e mais cedo em pessoas com fatores de risco: histórico familiar de glaucoma (parente de primeiro grau), descendência africana ou hispânica, diabetes, miopia alta, uso prolongado de corticoide, traumas oculares prévios e pressão intraocular elevada.

Quais exames detectam glaucoma?

O diagnóstico combina vários exames: tonometria (pressão intraocular), fundoscopia (avaliação do nervo óptico), gonioscopia (análise do ângulo da câmara anterior), paquimetria (espessura da córnea), campimetria computadorizada (campo visual) e OCT (tomografia das fibras nervosas peripapilares). Nenhum exame isolado faz o diagnóstico — é a combinação que confirma.

Glaucoma tem cura?

Não. O dano ao nervo óptico é irreversível. O objetivo do tratamento é estabilizar a doença e impedir progressão, preservando a visão útil ao longo da vida. Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes mantém qualidade de vida visual por décadas.

Como é o tratamento do glaucoma?

O tratamento de primeira linha costuma ser colírios hipotensores oculares, usados diariamente para reduzir a pressão intraocular. Quando os colírios não bastam ou não são tolerados, opções incluem trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) e cirurgias filtrantes (trabeculectomia, implantes de drenagem ou MIGS). A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio e do perfil do paciente.

Posso parar os colírios se a pressão normalizar?

Não. A pressão fica controlada porque o colírio está agindo — interromper o tratamento sem orientação médica leva a nova elevação da pressão e perda visual adicional. O tratamento do glaucoma é, na maioria dos casos, contínuo e por toda a vida.

Glaucoma é hereditário?

Há forte componente genético. Pessoas com parente de primeiro grau com glaucoma têm risco várias vezes maior que a população geral. Filhos, irmãos e netos de portadores devem fazer rastreio anual a partir dos 40 anos (ou antes, conforme orientação médica).

Veja também

01
Consulta oftalmológica
→
02
Catarata
→
03
Retina
→
04
Geriatria
→

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Referências

  1. Weinreb RN, Aung T, Medeiros FA. The pathophysiology and treatment of glaucoma: a review. JAMA. 2014;311(18):1901-1911. doi: 10.1001/jama.2014.3192
  2. Tham YC, Li X, Wong TY, Quigley HA, Aung T, Cheng CY. Global prevalence of glaucoma and projections of glaucoma burden through 2040: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmology. 2014;121(11):2081-2090. doi: 10.1016/j.ophtha.2014.05.013
  3. World Health Organization. World report on vision. Geneva: WHO; 2019. Disponível em: who.int/publications/i/item/9789241516570
  4. European Glaucoma Society. Terminology and Guidelines for Glaucoma. 5th ed. Savona: PubliComm; 2020. Disponível em: eugs.org/eng/guidelines.asp
  5. Gedde SJ, Vinod K, Wright MM, et al. Primary Open-Angle Glaucoma Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2021;128(1):P71-P150. doi: 10.1016/j.ophtha.2020.10.022
  6. Garway-Heath DF, Crabb DP, Bunce C, et al. Latanoprost for open-angle glaucoma (UKGTS): a randomised, multicentre, placebo-controlled trial. Lancet. 2015;385(9975):1295-1304. doi: 10.1016/S0140-6736(14)62111-5

Este conteúdo é informativo e baseado em diretrizes clínicas atualizadas. Não substitui consulta médica individual. A indicação de tratamentos depende de avaliação direta com a oftalmologista. Conteúdo redigido em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.