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Oftalmologia Infantil · Campina Grande/PB

A visão da criança merece cuidado precoce.

Avaliação oftalmológica adaptada para cada fase do desenvolvimento. Crianças nem sempre verbalizam que enxergam mal — o rastreio é o que identifica antes que a condição comprometa a alfabetização e o desenvolvimento.

Dra. Camila Nogueira Bezerra CRM/PB 15207 RQE 7596 Oftalmologia
Dra. Camila Nogueira Bezerra, oftalmologista responsável pelo atendimento infantil na Clínica Covisão em Campina Grande/PB
Dra. Camila Nogueira Bezerra
Oftalmologia · CRM/PB 15207 · RQE 7596
01 · Por que importa

A visão da criança se desenvolve. Nos primeiros anos, o cérebro aprende a ver — e qualquer condição que prejudique a chegada da imagem ao cérebro nessa fase pode deixar marca permanente. É a janela em que o tratamento muda a vida.1

Muitas condições — refração não corrigida, estrabismo, ambliopia, catarata congênita — são silenciosas para a criança, que não tem referência para dizer que enxerga pior. O rastreio em idades-chave é o que identifica antes da alfabetização e do impacto no desenvolvimento.2

02 · Calendário de consultas

Quando levar a criança ao oftalmologista.

Recomendações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da American Academy of Ophthalmology / AAPOS para crianças sem fatores de risco. Crianças prematuras, com histórico familiar de doenças oculares ou sinais de alerta devem ser avaliadas mais cedo.3

Recém-nascido
Teste do olhinho ainda na maternidade. Avalia o reflexo vermelho ocular para identificar catarata congênita, retinoblastoma, glaucoma congênito e outras alterações.
6 meses
Primeira avaliação oftalmológica completa — fixação visual, alinhamento ocular e fundo de olho.
12 a 18 meses
Reavaliação para confirmar desenvolvimento visual adequado, rastrear refração e alinhamento ocular.
3 a 5 anos
Avaliação antes da alfabetização — momento ideal para diagnosticar ambliopia, refração e estrabismo, ainda dentro do período de plasticidade visual.
Idade escolar
Reavaliações periódicas conforme orientação médica — especialmente diante de queixas, queda no rendimento escolar, dor de cabeça frequente ou mudança de comportamento ao ler.
Pré-adolescência
Acompanhamento da miopia (em crescimento global na população) e ajustes de refração conforme o desenvolvimento.

Em prematuros, crianças com histórico familiar de catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma ou ambliopia, e em síndromes genéticas, o acompanhamento é mais frequente e começa mais cedo.4

03 · Sinais de alerta

O que pais e cuidadores devem observar.

Estes sinais pedem avaliação oftalmológica — independentemente da idade da criança.

01

Olhos desalinhados

Estrabismo após os 6 meses de idade pede avaliação. Desvios constantes ou intermitentes devem ser investigados.

02

Reflexo branco na pupila em fotos

Em fotos com flash, a pupila normal mostra reflexo vermelho. Reflexo branco (leucocoria) é sinal de alerta para catarata congênita ou retinoblastoma — avaliação urgente.

03

Aproxima muito o rosto da TV ou caderno

Comportamento típico de quem tem miopia, hipermetropia ou astigmatismo não corrigidos. Frequente em crianças que ainda não verbalizaram a dificuldade.

04

Lacrimejamento e fotofobia

Lacrimejamento persistente em bebês pode indicar obstrução do ducto lacrimal. Em crianças maiores, fotofobia intensa exige avaliação para excluir glaucoma e outras causas.

05

Dor de cabeça frequente ou baixo rendimento escolar

Dor de cabeça após leitura ou no fim do dia escolar, e queda inesperada no rendimento, podem refletir refração não corrigida.

06

Inclinação ou rotação da cabeça

Postura compensatória pode indicar estrabismo, ambliopia ou alterações da motilidade ocular — pede avaliação.

04 · Principais condições

Condições oculares mais comuns na infância.

A maioria responde bem ao tratamento quando diagnosticada na fase adequada do desenvolvimento visual.

01
Refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo)

Erros refrativos podem prejudicar o desenvolvimento visual se não corrigidos. A miopia infantil tem aumentado globalmente — fatores como pouco tempo ao ar livre e uso intenso de telas estão associados.5 Há estratégias para controlar a progressão, discutidas individualmente.

02
Ambliopia (olho preguiçoso)

Redução da visão em um olho que se desenvolve na infância. Causa mais comum: diferença de grau entre os olhos. O tratamento (correção óptica + oclusão do olho dominante) é mais eficaz antes dos 7-8 anos.

03
Estrabismo

Desalinhamento dos olhos. Não é só estético — pode levar a ambliopia e perda de visão tridimensional. Tratamento envolve óculos, oclusão, exercícios e, em alguns casos, cirurgia. Casos complexos são referenciados ao sub-especialista em estrabismo.

04
Conjuntivite alérgica

Coceira, vermelhidão e lacrimejamento recorrentes — comum em crianças atópicas. O tratamento da alergia ocular é importante porque o ato de coçar os olhos é fator de risco para ceratocone.

05
Obstrução do ducto lacrimal

Lacrimejamento e secreção em bebês. A maioria resolve espontaneamente até 1 ano de idade com massagem do saco lacrimal. Casos persistentes podem precisar de sondagem.

06
Ptose palpebral

Queda da pálpebra superior. Quando a pálpebra cobre a pupila, pode levar a ambliopia por privação visual. Avaliação precoce define se e quando intervir cirurgicamente.

05 · Como é a consulta

Avaliação adaptada para cada idade.

A consulta oftalmológica em crianças é diferente da do adulto — adapta-se à colaboração possível em cada fase, com paciência e técnicas específicas.

  1. Anamnese com os pais ou cuidadores

    Histórico do parto, prematuridade, marcos do desenvolvimento, comportamento visual, sinais observados em casa, histórico familiar de doenças oculares e queixas escolares (quando aplicável).

  2. Acuidade visual adaptada

    Em bebês e crianças pequenas, avaliamos por fixação e seguimento de objetos. A partir dos 3-4 anos, usamos figuras e símbolos adaptados em vez de letras.

  3. Avaliação do alinhamento e motilidade

    Testes específicos para detectar estrabismo, mesmo quando intermitente. Avaliação dos movimentos oculares em todas as direções.

  4. Refração sob cicloplegia

    Em crianças, a acomodação ativa pode falsear a medida de grau. Por isso usamos colírio para relaxar o músculo ciliar antes de medir refração — método padrão na pediatria oftalmológica.

  5. Biomicroscopia e fundoscopia

    Avaliação da córnea, cristalino e fundo de olho. Com dilatação da pupila quando indicada.

  6. Conduta e plano de seguimento

    Conversa com os pais sobre achados, prescrição de óculos quando indicado, encaminhamento a sub-especialista (estrabólogo, retinólogo pediátrico) quando necessário, e cronograma de retornos.

Retrato profissional da Dra. Camila Nogueira Bezerra, oftalmologista da Clínica Covisão
A médica

Dra. Camila Nogueira Bezerra

Oftalmologia · Córnea · Cirurgia Refrativa

CRM/PB 15207 RQE 7596

Oftalmologista com residência em Oftalmologia pela SEOPE-PE e fellowship em Córnea e Cirurgia Refrativa pela UNIFACISA. Na Clínica Covisão, conduz consultas oftalmológicas pediátricas — rastreio visual, refração, avaliação de alinhamento ocular e identificação precoce de condições que afetam o desenvolvimento visual.

O método clínico em crianças privilegia paciência, ambiente acolhedor e adaptação à idade. Casos que demandam sub-especialidade pediátrica (estrabologia, retinoblastoma, glaucoma congênito) são referenciados com o histórico clínico completo, e o acompanhamento permanece compartilhado com a família.

Refração pediátrica Rastreio de ambliopia Avaliação visual
06 · Dúvidas frequentes

Perguntas que pais e mães costumam fazer.

A partir de que idade levar a criança ao oftalmologista?

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Academia Americana de Oftalmologia recomendam: teste do olhinho ainda na maternidade; avaliação aos 6 meses; nova consulta entre 12 e 18 meses; antes de iniciar a alfabetização (4 a 5 anos); e periodicamente durante a vida escolar. Crianças com sinais de alerta ou histórico familiar de doenças oculares devem ser avaliadas mais cedo.

O que é o teste do olhinho?

É um exame simples e rápido feito em recém-nascidos, em geral na maternidade. Avalia o reflexo vermelho ocular para identificar precocemente catarata congênita, retinoblastoma, glaucoma congênito e outras alterações que podem comprometer o desenvolvimento da visão. É obrigatório por lei em vários estados brasileiros.

Quais sinais de alerta para problemas de visão na criança?

Olhos desalinhados (estrabismo) após os 6 meses, lacrimejamento persistente, fotofobia (incômodo com luz), reflexo branco na pupila em fotos com flash, criança que aproxima muito o rosto da TV ou caderno, dor de cabeça frequente, baixo rendimento escolar, queixa de visão dupla, piscar excessivo ou desvio compensatório da cabeça.

O que é ambliopia (olho preguiçoso)?

Ambliopia é a redução da visão em um olho (raramente nos dois) que se desenvolve na infância quando o cérebro "desliga" o olho que enxerga pior. Causas comuns: diferença grande de grau entre os olhos (anisometropia), estrabismo e catarata congênita. O tratamento é mais eficaz antes dos 7-8 anos — depois disso, a recuperação é limitada. Por isso o rastreio precoce é essencial.

Estrabismo é só estético?

Não. O estrabismo (desalinhamento dos olhos) pode causar ambliopia, perda de visão tridimensional e impactar o desenvolvimento visual da criança. O tratamento depende do tipo e da causa — pode envolver óculos, oclusão (tampão), exercícios e, em alguns casos, cirurgia. Casos complexos são acompanhados por estrabólogo (sub-especialidade).

Por que a miopia infantil tem aumentado tanto?

Estudos populacionais mostram aumento global da prevalência de miopia em crianças. Fatores associados: pouco tempo ao ar livre, uso intenso de telas próximas, leitura prolongada sem pausas e predisposição genética. Há estratégias para controlar a progressão (atropina diluída, lentes específicas, mais tempo ao ar livre) — discutidas individualmente conforme o grau, a idade e o ritmo de aumento.

Como é uma consulta oftalmológica em criança pequena?

A consulta é adaptada à idade. Em bebês e crianças pré-verbais, avaliamos reflexos, fixação, alinhamento ocular e fundo de olho (com dilatação quando indicada). A partir dos 3-4 anos, usamos figuras e símbolos no teste de acuidade visual. O ambiente é calmo, sem pressa, e a colaboração da criança é construída com paciência.

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Veja também

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Referências

  1. Wallace DK, Morse CL, Melia M, et al. Pediatric Eye Evaluations Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2018;125(1):P184-P227. doi: 10.1016/j.ophtha.2017.09.032
  2. Webber AL, Wood J. Amblyopia: prevalence, natural history, functional effects and treatment. Clin Exp Optom. 2005;88(6):365-375. doi: 10.1111/j.1444-0938.2005.tb05102.x
  3. Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Recomendações para Atenção Oftalmológica na Infância. São Paulo: CBO; 2023. Disponível em: cbo.com.br
  4. Donahue SP, Baker CN; Committee on Practice and Ambulatory Medicine, American Academy of Pediatrics; et al. Procedures for the evaluation of the visual system by pediatricians. Pediatrics. 2016;137(1):e20153597. doi: 10.1542/peds.2015-3597
  5. Holden BA, Fricke TR, Wilson DA, et al. Global Prevalence of Myopia and High Myopia and Temporal Trends from 2000 through 2050. Ophthalmology. 2016;123(5):1036-1042. doi: 10.1016/j.ophtha.2016.01.006
  6. Wu PC, Chen CT, Lin KK, et al. Myopia Prevention and Outdoor Light Intensity in a School-Based Cluster Randomized Trial. Ophthalmology. 2018;125(8):1239-1250. doi: 10.1016/j.ophtha.2017.12.011

Este conteúdo é informativo e baseado em diretrizes clínicas atualizadas. Não substitui consulta médica individual. A indicação de tratamentos depende de avaliação direta com a oftalmologista. Conteúdo redigido em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.